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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Um começo de filme

E ele não iria me ligar. Minha mão desenhou a sua boca em leves toques. Toques e beijos. Beijos deles em mãos de homem. Ele me colocou sobre seu peito e eu sentia o sangue passeando em batidas, acelerado de excitações, deixando o ar entrar. Arritmia... o deliciar do conhecer.
Nossas mãos com pêlos, marcadas por veias, com unhas roídas. Mãos grosseiras no segurar.Mas antes, mãos que dançaram conforme o ritmo do filme. Acariciaram ouvindo o som clássico. Som de filme. Ao fundo, Buenos Aires cantava e em nós, ali, já as possíveis promessas. O bom jogo de palavras, o convencimento de que estava surgindo um iniciar, um gostar, um começo. Palavras que fizeram desejos, palavras bonitas de serem acreditadas. Na ingenuidade, no descrer... esperando. A cabeça entre beijos, a cabeça não pensando, a cabeça divagando num depois. Num querer ser.
No dia seguinte, não ligou. Esqueceu de nossa dança? Estaria ele muito acostumado com os passos? Falou tudo aquilo como falaria uma receita de bolo. Beijos não tão bons quanto de seu antigo amor? Carinhos não tão intensos como aqueles? Deve ser isso. Aquilos. Palavras ditas no ar , em horas de um aconchego trivial, de cenas ensaiadas, dos meus não dizeres assustados. Era um primeiro encontro.
Mas ele já não me ligaria.

Lucas Balieiro

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