Páginas

domingo, 28 de março de 2010

Cabeça inimiga

E , então, retorno. Não ainda com aquela certeza encabeçada de que tudo daqui pra frente se ordenará diferente. De que foi uma fase, uma maré de azar que se seguiu depois daquele ano passado tão incrível.
De seguro, carrego que muita coisa foi tirada dessa hecatombe que completa aniversário de dois meses dia seis de abril.
Ensinamentos que vieram em ondas de Gardenal e ansiolítico. Período em que nada abstraia, o pensamento desembocava em um lugar só e dava vontade de mexer a perna embaixo da mesa.
A resposta era sempre aquela, teria de ser aquela: Vocês não entendem!
Os achismos e uma gama de opiniões que gotejavam desespero e davam vontade de desmaiar. Um corpo cansado de uma mente inimiga.
E, disso tudo,relativizei preceitos, ou melhor, dogmas que sempre carreguei em minha vida. As memoráveis lembranças de Clarice na época do colégio, aquele gostinho tão saboroso de começar uma nova fase, de provar de um desconhecido e começar a se encontrar nele. Lembrava aquela brincadeira da caixa, um objeto escondido e com perguntas alguém no final arremata dizendo: É UMA CANETA??
À mim, chegou o momento, em que na caixa nem eu sabia o que se escondia e que as perguntas passaram a cortar, dar sudorese e crise de desespero.
Nada era tão bonito. Não existia o amor perfeito. E minhas lágrimas não findariam depois daquela primeira vez.
Jamais poderia dizer que Clarice errou ao querer ser aquela pergunta, mas não para mim. A certeza pautava minha vida, a apuração até chegar a verdade máxima, querer o incontestável. Dormir abraçado com ele e nunca titubear em afastá-lo do dia dia.
Mas , as vezes, tudo é reordenado. A vida vira de ponta cabeça e , como mostrou Buñuel, não se pode sair da sala até que tudo volte a posição inicial.
Hoje, já consigo dormir. Aqueles sonhos voltaram. Consigo sorrir e os cortes das tantas perguntas estão cicatrizando. Faço desta passagem por aqui , uma forma de galgar respostas as minhas perguntas mais escondidas. Talvez, não podendo ser uma pergunta,porém estar apto a encontrar várias respostas. Coloridas, recíprocas e minhas.

Lucas Galati

terça-feira, 16 de março de 2010

Não mais escrevo...Agora, eu apuro.

Fica tão chato colocar remédios na estante. Aqueles dias, em que os parágrafos se perdem e o sono parece mais forte. Cálculo por cálculo, o X é encontrado e o que se faz com aquilo? As tardes, dentro de uma sala quente publicando dizeres e interpretações. Nunca suas.
Andar ao lado do pedante... Por que mexo os braços? Por que tremo as pernas? Estou com bafo? E se torcer meu pé na próxima esquina? Qual a probabilidade de ser assaltado aqui? Hoje, quem morreu?
Saindo daqui, chego em casa, cago, assisto "Alma Gêmea" e vou dormir até o horário da faculdade, até mais um compromisso, até um dia de pensamentos novos, quem sabe?
Feliz apenas em saber , que comigo, por todo esse tempo, não foi assim. Criei uma obsessão que me safou dessas particularidades, que fez eu virar as costas pro mundo e me proteger de uma chatice: A de começar uma vida.
De pensar em compromissos, de não poder beber em uma quinta feira, de não dar tempo, de ouvir esporros e ficar quieto. As fotos ficavam mais velhas, as estórias mais antigas e tive de me satisfazer com o que tinha sido. Com o vivido. Por todo esse tempo, pautei uma vida em uma nostalgia e agora esse outro assusta.
Para você, eu podia dizer tudo. Gritar, xingar e não falar por algum tempo. Tinha sempre a certeza que o normal voltaria. Queria ser notado, ver que era importante ou que tinha alguma razão em tudo aquilo que dizia. E sempre consegui.
Então, vinham os encantos. Meus sonhos secretos. Até desenhava. Minha voz não ficava rouca e abstraia qualquer tempo de relaxamento para o um dia. Um dia, chegaria... Desmentia em enfáticas afirmações de que não sabia o que queria. Pois te digo, sempre soube. E das minhas atitudes , acho que nunca existiu uma única dúvida.
E então multipliquei trinta com três e vieram tantos dias. Mordaça! Já não poderia falar aquilo tudo de antes e você já estava a léguas daqueles contos em meu diário. Talvez, até com alguém. E se o aquilo ,já amarelado, não era pensado, agora ainda existia a raiva. Vixi! Mistura azeda... E de gosto tão forte, que os dentes deixaram de sair. Seriedade e apuração, apuração e apuração. Sou jornalista!
Sem vida, sem saco, de porre, atento. Agora, minhas cores eram virtuais, meu ritmo? o da Internet, minhas quintas cansadas. Parágrafos de sangue naquele que nunca pensou em largar a boêmia. Nesse patético sonhador, que nunca quis abrir mão de você, que gostava de cutucar, que fazia da vida uma brincadeira.
E obsessivo sim, talvez, um psicopata , mas que sorria e não tinha vergonha de ser feliz - por mais clichê que a frase seja.
Agora, redescubro... Nesses meandros , refaço minha felicidade e sigo em frente. Mais cético, sem tantas cores, mas ainda humano. Os ossos do ofício nunca poderiam tirar meus sorrisos, minhas neuras. Sem você, elas apenas se fazem mais presentes.
Precisei de um pause, mas meu deadline era de cinco minutos. Postergando reinvento uma vida, agora, sem o antigo. Sem bilhetes, sem abraços e conversas sinceras na frente da praia.
Tenho prazo e já está muito tarde. Tenho que dormir.
Boa noite e obrigado pelas melhores memórias.

Lucas Balieiro