Fica tão chato colocar remédios na estante. Aqueles dias, em que os parágrafos se perdem e o sono parece mais forte. Cálculo por cálculo, o X é encontrado e o que se faz com aquilo? As tardes, dentro de uma sala quente publicando dizeres e interpretações. Nunca suas.
Andar ao lado do pedante... Por que mexo os braços? Por que tremo as pernas? Estou com bafo? E se torcer meu pé na próxima esquina? Qual a probabilidade de ser assaltado aqui? Hoje, quem morreu?
Saindo daqui, chego em casa, cago, assisto "Alma Gêmea" e vou dormir até o horário da faculdade, até mais um compromisso, até um dia de pensamentos novos, quem sabe?
Feliz apenas em saber , que comigo, por todo esse tempo, não foi assim. Criei uma obsessão que me safou dessas particularidades, que fez eu virar as costas pro mundo e me proteger de uma chatice: A de começar uma vida.
De pensar em compromissos, de não poder beber em uma quinta feira, de não dar tempo, de ouvir esporros e ficar quieto. As fotos ficavam mais velhas, as estórias mais antigas e tive de me satisfazer com o que tinha sido. Com o vivido. Por todo esse tempo, pautei uma vida em uma nostalgia e agora esse outro assusta.
Para você, eu podia dizer tudo. Gritar, xingar e não falar por algum tempo. Tinha sempre a certeza que o normal voltaria. Queria ser notado, ver que era importante ou que tinha alguma razão em tudo aquilo que dizia. E sempre consegui.
Então, vinham os encantos. Meus sonhos secretos. Até desenhava. Minha voz não ficava rouca e abstraia qualquer tempo de relaxamento para o um dia. Um dia, chegaria... Desmentia em enfáticas afirmações de que não sabia o que queria. Pois te digo, sempre soube. E das minhas atitudes , acho que nunca existiu uma única dúvida.
E então multipliquei trinta com três e vieram tantos dias. Mordaça! Já não poderia falar aquilo tudo de antes e você já estava a léguas daqueles contos em meu diário. Talvez, até com alguém. E se o aquilo ,já amarelado, não era pensado, agora ainda existia a raiva. Vixi! Mistura azeda... E de gosto tão forte, que os dentes deixaram de sair. Seriedade e apuração, apuração e apuração. Sou jornalista!
Sem vida, sem saco, de porre, atento. Agora, minhas cores eram virtuais, meu ritmo? o da Internet, minhas quintas cansadas. Parágrafos de sangue naquele que nunca pensou em largar a boêmia. Nesse patético sonhador, que nunca quis abrir mão de você, que gostava de cutucar, que fazia da vida uma brincadeira.
E obsessivo sim, talvez, um psicopata , mas que sorria e não tinha vergonha de ser feliz - por mais clichê que a frase seja.
Agora, redescubro... Nesses meandros , refaço minha felicidade e sigo em frente. Mais cético, sem tantas cores, mas ainda humano. Os ossos do ofício nunca poderiam tirar meus sorrisos, minhas neuras. Sem você, elas apenas se fazem mais presentes.
Precisei de um pause, mas meu deadline era de cinco minutos. Postergando reinvento uma vida, agora, sem o antigo. Sem bilhetes, sem abraços e conversas sinceras na frente da praia.
Tenho prazo e já está muito tarde. Tenho que dormir.
Boa noite e obrigado pelas melhores memórias.
Lucas Balieiro
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