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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

hohoho!

Eu to aqui, no dia do aniversário mais internacional e secular que existe, pensando sobre o que a gente fez com o nosso amor.

Porque a despeito de todos os filhos da puta que querem se redimir na noite de natal, eu tento&tento ser uma filha da puta amorosa ano após ano, inclusive na noite de natal.

Não vou arrebentar pulseira do senhor do Bonfim e nem guardar caroços de romã na carteira. Superstições amorosas? Eu as jogo no lixo. Não é um acesso de melancolia como aqueles filhos mimados que, na obrigação de passar o natal em família, capricham no sebo do cabelo e na camiseta mais submundo do guarda-roupa – exemplo: estampa com o smile torto do Nirvana acompanhada da estrela de 2010, a velha camisa xadrez. Os esforços são muitos pra mostrar desconforto em estar ali, com a tia avó, peru e taças de vinho.

Queridos, é que nem vacina e fila do poupatempo. Tem que fazer! Vai morar longe pra ver se não vai sentir falta.

Voltando ao nosso amor, comecei a véspera pensando onde você o botou. E vou atravessar a madrugada tentando me convencer que você não foi tão filho da puta ao ponto de enfiá-lo no cu. E se ele tiver hora marcada na sua agenda, também não estou disposta a esperar.

Eu continuo contente, sendo impaciente, um pouco filha da puta e amorosa.

Já te liguei pra falar ‘feliz natal pra você, manda um beijo pra família querida’ e desliguei sorrindo.

Juliana Xavier

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Meu nome não começava com D

Difícil. Não pensaste de onde surgia aquele convite?
De dentro, de tudo que nunca foi,
De tudo, que nunca seria.
Disse.

Dialoguei com tacanhas,
desprezei os incertos.
Deturpei Diogos,
Difamei Danieis,
de certo, faria de novo.
Dor de pequeno,
dilatando amor,
dizendo na tentativa de conquistas,
de olhos abertos até amarelar o dia,
devaneando em suas sobrancelhas,
dissipando qualquer não saber,
deixando de lado , indelicadezas ou verborragias antes acontecidas.
Dali, os dois corpos silenciavam suas maiores verdades,
declamavam seus sentires tão hedonistas em soslaios,
desajeitados ainda com pudores -
se devia, queria, podia?

Do fim, disse.
Deveras ingênuo, pois desconhecia.
Disse antes que amarelasse outro dia, antes que sobrancelhas caíssem.
Disse antes de ser indelicado.
Disse o convite.
Eu disse.

De lado,
De vulto,
de soslaio,
decrépito.
Do chão, denegriu negativas ditas de maneira tão natural.

Do dia seguinte,
de novo a distância.
Da culpa de um só ,
da loucura deste e de sua disponibilidade para a relação.

Derramando novos verbos,
de essência tão ácida,
deturpando a história do convite.

Dias outros passaram,
da viagem já acontecida,
dizer de você sempre fazia sentido,
dessa vez,
também fez.

Disse e você vomitou tantos Ds.
De tom baixo, sua voz
disse ter outro amor,
disse que quem fizera o convite fora você,
de fato usando minha idéia,
disse que veria o mar,
disse que estaria ao lado do Daniel.
Disse pensar no Diogo.
Disse que casaria com o Danilo.
Disse.
Difícil,
De dentro,
De tudo,
um outro D.

Depois me perguntas embriagado sobre
distância,
disponibilidade,
desconexões e eu
derreto em novas elocubrações,
deteriorando meus princípios,
decorrendo justificativas de seus nãos,
da inanição de uma amizade nunca existente.
Dos anos que se passaram,
do que não foi feito
e do que nunca será.

Lucas Galati

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

dicionário

Quero abrir uma fresta na sua vida pra parar de achar que o que você tá fazendo agora é bem mais superior, elevado ou mundano que a minha noite saudosista.

Tenho certeza que você tá fazendo carinho na Mel, puto com a sua insônia. Eu colocaria Gonzales no ipod pra dispensar metáforas às minhas intenções.

Aliás, quero que se foda quem inventou metáfora. Esses iluministas, racionalistas das “artes, ciências e ofício”, convenientemente se esqueceram de considerar o hemisfério direito do cérebro, o bon vivant hedonista que não sente ressaca moral.

Os violinos dessa época dariam conta de atiçar a única vontade (até mesmo aos criadores da metáfora) que dá ao ouvir uma música como essa, por exemplo. E ao invés de dizer ‘eu quero’ – porque seria simples demais – falariam de uvas ou bicicletas: caroço, graxa, cacho e corrente.

Eles não têm ideia do estrago que fizeram: criaram subsídios lingüísticos aos seres humanos para todo mundo se sentir confortável em ser demasiadamente humano.

Metáfora, autocontrole, sexo, são apenas palavras. Acho que a gente se esqueceu o quanto elas não significam muita coisa.

Juliana Xavier

domingo, 12 de dezembro de 2010

my heart is in my head

Amor só serve quando é escrito com três letras.

Juliana Xavier

domingo, 28 de novembro de 2010

sem título

" Lembro com muito gosto o modo como ela se referia à ele. Pelo menos ela o fez uma vez e isso ficou marcado muito fundo, dizendo: Caetano, venha ver o preto que você gosta.
Isso de dizer o preto, sorrindo ternamente como ela o fazia, o fez, tinha, teve, tem um sabor esquisito, que intensificava o encanto da arte e da personalidade do moço no vídeo.
Era como se isso somasse àquilo que eu via e ouvia, uma outra graça, ou como se a confirmação da realidade daquela pessoa, dando-se assim na forma de uma bênção, adensasse sua beleza.
Eu sentia a alegria por Gil existir, por ele ser preto, por ele ser ele, e por minha mãe saudar tudo isso de forma tão direta e tão transcendente. Era evidentemente um grande acontecimento a aparição dessa pessoa, e minha mãe festejava comigo a descoberta."



Caetano no Verdade Tropical

terça-feira, 23 de novembro de 2010

dissertando o sussa

Poeta bom é poeta triste? Cansei de afirmar melancolia. Minhas respostas não são metaforicamente surreais e eu não dependo de ironia. Tudo bem, sem crises, talvez eu não seja poeta.
Tampouco adianta atacar meus mecanismos de defesa; cada um faz da sua insegurança o que bem quiser. It’s a long way se admitir inseguro sabendo que essa é a postura mais segura que se pode tomar. Se os ex-gordos justificam a vergonha diante do medo ao retorno às banhas, nada me impede dissertar sobre as minhas (banhas), aquelas encarquilhadas em cada neurônio ativo. E por elas, quanto a elas – puxa, por onde devo começar? – lipoaspiração não é uma opção.
Nesse regime incerto, quero registrar a minha felicidade por: nada. A falta de especificidade me deixa completamente contente. Reconhecer que num parar de bicicleta, o diálogo é frívolo como sempre deveria ter sido; cobrir as pernas com um casaco-encrenca, mas não se importar com nada além do frio.
Fazer de Clarice a melhor amiga pra forjar intensidade nunca foi a minha, assim como brincar de personalidade forte.
Declamar o querer bem sem nenhuma pretensão de resposta. Permitir-se à absoluta certeza de quem tiver que ficar, vai ficar.
(E pensar que tudo começou com um 'não precisa se despedir desse jeito babaca, ju').
Ser pueril é tão gostoso! Ufa, to feliz!

Juliana Xavier

sábado, 20 de novembro de 2010

little joy

To fumando na janela do meu quarto, infringindo as regras. Meus pais moram comigo: minha mãe acha que é curtição, to fumando porque eu bebi. Meu pai acha que eu sirvo de cinzeiro, o cheiro é dos outros, o que ainda é pior, porque sou ‘completamente influenciável’.
Acho que eu nunca escrevi um texto pra você com falta de vergonha pra mostrar pra todo mundo. E eu não to me sentindo valente, estar na frente de um computador me deixa mais triste.
Porque a minha vontade é nunca te deixar triste, mostrar um mundo em que a tristeza não é possível. E aí, de pouco em pouco, a gente se mostra entre amigos recém feitos pra mostrar o quanto a gente mudou. Fazemos-nos exames fraudados, respostas em teste A, B, C e D não são suficientes. Deveria ter um teste com respostas com possibilidade E, a alternativa dissertativa pra justificar em texto o que não pode ser reduzido.
Não me agüento em humanidades: choro, rio, ligo rindo e chorando; fico sabendo sobre cotidianidades que eu gostaria de viver, mas não vivo. E, numa ligação de cinco minutos, tento desvendar um dia inteiro - doce ilusão: como se isso fosse possível.
Eu não tenho os dias, perco os segundos primordiais e não tem uma segunda-feira que não consiga sofrer por isso. Tenho vontade de gritar pro mundo sobre a sorte: ‘não desdenha, olha a grandiosidade dessa menina!’. E, ao mesmo tempo, só quero te guardar pra mim, como minha primeira descoberta. A minha primeira concha da praia, a primeira vez que eu vi o mar.
Concordamos em discordar da repetição: muitos textos em um blog te tornam um desesperado, não num talentoso.
Só quero que você me ouça em cada frase escondida te pedindo um cigarro sem tragar- tragando: acho que eu te preciso mais do que gostaria de admitir. Ver as lacunas da sua própria vida sendo preenchidas pouco-a-pouco, medindo as importâncias; desdenhando as importâncias, ouvindo as batidas do coração, concordando na ingenuidade e sendo incapaz de fazer diferente.
Acho que eu te preciso tanto quanto a minha vontade de tirar o sapato quando chego em casa;
Te preciso mais que os pontos finais desse ou qualquer texto. Produziria um trabalho de conclusão de curso pra tentar mapear em 1.1 ou 2.2 o que eu sinto e organizar a minha cabeça. Mas como organizar endorfina?
Sentindo.

Juliana Xavier

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

moletom is bliss

Com todos os seus subterfúgios sobre política, música e falsa popularidade, eu só tenho vontade de ir pra casa em uma sexta-feira à noite. Engano meu repetir na cabeça que isso não me incomoda. Isso – os seus subterfúgios. É como se os meus olhos acompanhassem uma chuva de canivetes. E enquanto você discursa sobre qualquer coisa, a minha vontade, entre vírgulas, é dizer: mas isso é importante mesmo?
Não, não é. E aí eu me despeço subindo ladeiras e sorrindo comigo. Não há cerveja, boazinha, maconha, ficada ou trepada de uma noite só que consiga me convencer que eu deveria estar em outro lugar.
Eu estou exatamente onde eu gostaria de estar agora: na minha casa com a minha calça de moletom, o meu subterfúgio adquirido por apenas vinte e nove reais em uma loja de segunda mão. A noite é como outra qualquer e as histórias vão cair na repetição do dia seguinte, vão durar um fim de semana no máximo. A ressaca não ajuda a lembrar dos detalhes.
Felicidade não é quando você não desejaria estar em outro lugar que não o que você viveu naquele instante, naquela marcação temporal? Pois marquem: são quatro e pouco da manhã, o sábado tá começando e eu to em casa com a minha melhor calça de moletom.

Juliana Xavier

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

rima pra quê

comprar um estetoscópio/ embrulhar em papel presente / fazer você abrir na minha frente / pra você parar de achar / que meia dúzia de palavras organizadas / determinam pontos finais / don corleone da retórica / com um estetoscópio / meu coração fica em suas mãos

domingo, 17 de outubro de 2010

como descascar laranjas

A palavra autonomia me causa arrepios como a peste negra gerava pavor nos vassalos e suseranos. Ela não é transmitida por pulgas, mas me assombra em cada resquício de criação familiar. Assim, não saber fazer o movimento da pinça enquanto eu descasco uma laranja é um erro tão crasso quanto se tivesse assaltado alguém. Também é uma afronta ao ser humano que lutou por zilhões de anos pra comprovar que é diferente do macaco, mas culpa o instinto animal em comportamentos não tão humanos assim. Instinto materno também justifica o desejo das mulheres workaholics que, forçosamente, colocaram o pinto na mesa nas grandes empresas, mas arregam em admitir um desejo tão primário, arcaico e demasiadamente humano que é nascer pra reproduzir. “Eu nasci pra ser mãe” é o novo “socorro, ela é uma bruxa!”. Produz linchamento em praça pública e mesas de bar. É assim que nascem as mães octopus (ou o que uma penca de filhos pode fazer pelos límpidos costumes norte-americanos. Ou 'nossa, o circo chegou! Temos um novo Homem Elefante', ou 'não chupei um presidente, mas já chupei bastante gente e cá estou', ou ok, parei com o julgamento).
Assalto, pois, é condenável. Mas se eu tiver bêbada ou se peguei sem pagar um saco de bubaloo sabor uva nas Americanas é perdoável; demorar vinte minutos pra descascar uma laranja não pode: é o seu atestado de incapacidade por preguiça; é, mais uma vez, uma afronta ao ser humano - PS: É o apontamento de falhas na minha criação. Nenhuma mãe quer sofrer por isso.
Os sete pecados se eximem de culpa em se tratando de pequenas habilidades diárias. “Pois mãe, não sei fazer arroz porque quero viver de amor”. E até onde eu saiba, amor não gosta de arroz. Amor não gosta de nada. Amor é a mina mais autônoma que eu já conheci. Dinheiro é a vadia que arruma as malas e resolve desaparecer do dia pra noite. Dinheiro deixa rombos emocionais. Amor não. O amor não arruma as malas; é justamente quando ela promete ficar pra sempre.
Eu crio teses, retórica e argumentos pra defender o meu desleixo. Eu deixo a autonomia aos idiotas da evolução e ao mito da mulher independente.
Deixo a autonomia pra depois, peço pra alguém gentil descascar as minhas laranjas.

Juliana Xavier

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

tchau

Vou mentir o meu aniversário pra ser leonina egocêntrica.
Tudo o que vem de mim vai ser mais interessante do que vem de você. Assim posso me sentir mais confortável com o seu egocentrismo.
Sua desculpa não é nem astrológica, seu signo não é do rei da selva. Seu signo pica, arde e faz doer.
Você é a prova viva que a astrologia é verossímil, pau em quem acha que não.
Você criou alergias emocionais e cacoetes de nervosismo. Você me faz ser mais chata, carente e repetitiva. Faz-me criar palavras em um blog de criança-adulta, parágrafos que eu nem quero digitar, mas os dedos não deixam, cravam com tanto ardor vírgula pós vírgula.
O ridículo da situação está em não conseguir controlar até os próprios dedos. Eles assumiram vida própria, só se envergonham na hora de erguer o dedo médio e se despedir honrosamente.
Que apodreça sozinho isso que nunca existiu por inteiro, já que não se sofre por morte de inexistência.
Se eu sofro é pela minha burrice e eu me despeço colocando um continente de distância.
Não to indo por fuga. Vou-me em nome dos encontros.

Juliana Xavier

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Martin com N

Tudo o que eu sou hoje se deve ao primeiro ‘foda-se’ que eu ouvi lá no colegial, onde começa a ser importante ser alguma coisa. E quem o disse foi a Renata do 1º, 2º e 3º B.
Renata, se você continuar egocêntrica assumida e procurar seu nome no Google, espero que esse texto chegue à você além da lista da FUVEST de 2008 com os aprovados em audiovisual, tá bom?
(Vamos testar o nosso medo de internet agora)
O meu primeiro ‘foda-se’ do âmago foi na negação combinada diante de uma proposta sem sentido do professor de artes plásticas. Renata e eu só fazíamos coisas que pudessem levar argila, ou seja, teria que ser sempre uma escultura tridimensional. Cazuza? Ideologia, quero uma pra viver? Tridimensional. Cubismo? Tridimensional. Paisagem? Tridimensional. A gente era dadaísta convicta, qualquer tema resultava em uma grande bosta de argila.
Pois bem, apareceu outro tema sem sentido e continuamos na linha do cocô de argila. Cocô de argila pra tudo, claro que nunca bem aceito. O professor ficou cansado, ou talvez curioso, perguntando sobre os nossos métodos, e o diálogo seguiu mais ou menos assim:
- Gostamos de argila, Carlos.
- Sim, mas ficaria mais fácil fazer um cartaz, uma pintura nesse caso.
- Tá bom.
Por trás da conformidade, a gente sabia que manteríamos a bosta de argila; só que agora, no fundo da obra, Renata sugeriu um pequeno ‘foda-se’ cravado com palito de dente.
Obrigada, Renata, por ter estudado na minha sala e não ter levado a sério a minha ofensa diante dos seus óculos com durex no meio do nosso primeiro contato.
Quando o ‘foda-se’ foi cravado na bosta de argila, a minha personalidade absorveu a primeira mudança definitiva: eu era a irmã da Mariana (uma Xavier, não Felix), mas também era a dupla ‘foda-se’ nas obras de barro. É muito bom pronunciar palavrões; cristalizá-los, então, é melhor ainda. E sabe a única coisa que consegue ser melhor que isso? Cristalizar uma postura.
E desculpa pelo cano na Virada Cultural. Fiquei com medo que você achasse que eu perdi a graça.

Juliana Xavier

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

weeds

Me convida pra dar um rolê no seu quintal
Você mora em um apartamento de 40 m² com uma janela significativa porque o resto é tudo basculante
Mas me convida pra dar um rolê no quintal
Eu vou te falar da rede que a gente vai ter e do cachorro-feio-mas-mais-bonito-do-bairro chamado Tosco
Aí eu vou fazer uma pipoca de panela, já que a de microondas nunca fica no ponto ideal
Mas a gente vai ter microondas porque a gente não vai ser um casal neo-hippie como o seu amiguinho maconheiro & com consciência pesada que planta a própria maconha e a sua esposa que gosta e tem tanto apreço pelos baseados caseiros
A gente não vai ser maconheiro at all: eu só vou me lesar de você e você só vai se lesar de mim

Juliana Xavier

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

tum tum

Eu não vou te ensinar a ser ser humano
Você só sabe ser sociopata
Stuck in the middle with you...tsc tsc
Isso não é uma porra de um filme do Tarantino
Nem que você quisesse seria tão emocionante quanto
Eu sinto mais remorso do que deveria
Eu tremo
Eu choro
Eu pisco muito quando eu minto muito
Não vou te ensinar a ser ser humano
Quando o que você quer viver é historinha de blog de Nova York
Minha escola é outra, meu caro: sofri por amor platônico, juvenil e estúpido; tenho irmã distante geograficamente; já tomei cachaça em garrafa de plástico e andei sozinha, a caminho de casa, depois da uma da manhã em bairro da zona sul. Já visitei dois outros países também. Conheço o Ceará com a palma da minha mão, passei minhas férias entre escolas por lá
Já li Salinger, Fante e Mafalda. Não me lembro de uma frase de nenhum deles.
Nada disso me faz ser mais ser humano, sabia? Para isso basta acordar todos os dias, ter pernas e um bom fígado
Ser o que você não é me faz ser ser humano. Não sei história, matemática, geografia. Não sei porra nenhuma
(mas eu ainda consigo ficar em silêncio pra ouvir as batidas do meu próprio coração)

Juliana Xavier

domingo, 12 de setembro de 2010

...just in time

Você só mostra fotografia do seu ombro porque consegue forçar marcas de uma saboneteira que geralmente não existe. Enquanto você anda, abaixa, se espreguiça, ela continua não existindo. É porque os ombros são a parte do corpo que mais passam incólumes às variações de peso, não é mesmo?
Você só tira fotos fragmentadas porque tem medo de se mostrar por inteiro.
Você força uma espontaneidade que não permeia o seu dia-a-dia. Nem com o cobrador de ônibus, que é quando ninguém está por perto, você não consegue se sentir confortável pra usar o tom de voz que quiser. Não consegue parar de mexer no cabelo, sozinha, e maldizer a genética que pode não ter te favorecido. Aquela vó preta que teve um caso com um descendente de italiano não deu à sua mãe, e, infelizmente, à você mesma, a menor chance de ser exótica, assim, positivamente falando. Exótica modelo: cabelo de índio, nariz largo, ossos do quadril à mostra. E agora você se esforça à exaustão pra tentar, no mínimo, ser um pouquinho caucasiana.
Eu sinto o seu desespero de fake. Eu cheiro o seu desespero. E eu não lamento porque quem te colocou nesse buraco foi você mesma.
Estoy aqui, free as a bird. Metendo-me em acidente de carro e sobrevivendo. Tatuando o meu corpo sem passar pomadinha depois. Pois saiba que o meu desespero não é nada fake: é de quem coloca os pés pra fora de casa e não sabe o que vai acontecer nos cinco minutos seguintes.
Eu não rio de você nem sinto pena. Eu rio quando os músculos da minha cara resolvem rir. Eu rio de raiva e choro porque to rindo demais.
Em um assoprão você pode desaparecer. Eu sei disso e você também. Pero estoy aqui, free as a bird. Tô tranqüila, chorando de rir de mim mesma.


Juliana Xavier

segunda-feira, 10 de maio de 2010

ditados populares

Trê verdades absolutas sobre três pessoas incontestáveis:

1) saber usar vírgulas, concordância e crase são os seus instrumentos pra tentar me diminuir e vice-versa. Uma palavra errada te faz mais burro sim, a não ser que você seja truta da ZL (o que, definitivamente, não é o caso), e eu rio sim da sua cara e, consequentemente (sem trema, tá vendo?), fico num nível acima do seu;
2) se eu fosse indenizada por perda de tempo, considerando que eu passei, no mínimo, 3/4 da minha vida perdendo tempo, eu teria tanto, mas tanto dinheiro, que eu poderia comprar uns 4 bancos;
3) a sua vida seria uma bosta sem mim e você seria sim exatamente igual aos seus pais;

Juliana Xavier

domingo, 2 de maio de 2010

O não dito

Sempre falo sobre verdades. As minhas verdades, as suas verdades e as verdades do mundo.Grandes mentiras.
Disse que aquela viagem com os meus amigos foi legal.Mentira.
Disse que o trabalho estava em primeiro lugar na minha vida. Mentira.
Disse que às vezes gosto de dormir na minha cama sozinha. Mentira.
Disse que prefiro minha cama a sua. Mentira.
Disse que tanto fazia. Mentira.
Disse que gostava da liberdade. Mentira.
Disse que você podia ir. Mentira.
Disse que você era meu segredo. Mentira. (Falo de você pro mundo inteiro)
Disse que sentia saudades. Faltou dizer o tamanho.
Disse que gostava. Faltou dizer o quanto.
Além de mentirosa, esquecida.
Esqueci de dizer que com você dei minhas melhores risadas.
Esqueci de dizer como era bom o cheiro, o gosto, o suspiro do seu sono, teu peso em cima de mim.
Esqueci de dizer que não havia sorriso mais largo que o meu ao te ouvir no telefone.
Esqueci de dizer que era pelo seu encontro que minhas mãos suavam.
Esqueci de dizer que não sou forte.
Esqueci de dizer que você é parte das minhas músicas.
Esqueci de dizer que sou cafona.
Esqueci de dizer que sou MUITO cafona.
E antes que eu me esqueça, só escrevo por encomenda.
Dito e feito.

M.M

sexta-feira, 2 de abril de 2010

(suspiro)

Você tem mais parte em mim do que eu gostaria de admitir.
Eu tento me convencer repetindo aos outros que isso nunca foi destrutivo. Pelo menos, da minha parte, de querer o seu bem, isso nunca foi destrutivo. E por isso que o meu discurso não muda, pois eu to falando de mim.
Eu sempre quero o seu bem, basta olhar pra cegueira da minha solicitude. Eu faço o que me couber, onde o seu controle permitir que eu vá, pra te ver bem. E eu sei que não é nada recíproco, mas não consigo ser diferente.
É, acho que me acostumei com essa relação de parasitismo. Consigo viver bem com ela.
E agora? Não quero mais. Desse jeito não. O fato é que eu funciono exatamente assim: sei onde eu devo cutucar suas feridas, pois ajudei a estancá-las. Isso deveria ter me brochado, mas não. Minha graça triplicou. No entanto, bastou eu olhar pro lado: o mundo nunca me pareceu tão atraente.
(Outros defeitos pra eu olhar com binóculo).
E aí você não me parece mais interessante.
Você pergunta sobre a minha vida, eu respondo. Você fala de algumas exclusividades que eu tenho, eu agradeço. Eu pergunto de você, você fala. Eu pergunto sobre quem te rodeia, você responde com pressa – não é engraçada essa constante sensação de prestação de contas? - Até se transformar em conversa trivial, nada muito diferente da que eu tenho com o porteiro do prédio.
Sabe qual o elemento surpresa? Nem eu – e muito menos você – não deixamos de falar ‘eu te amo’ em todas essas conversinhas. Claro, não a todo instante. Mas ele tá bem ali, em cada frase banal.
E de fato, amo você. Mas não to apaixonada.
O antídoto? Que talvez eu nem queira agora? Sair do piloto automático. Eu não to ‘ganha’ como você tem tanta garantia.
O que me prendeu durante esse tempo todo foi o gosto pelo conflito.
Não deixo em suas mãos essa decisão porque, finalmente, isso não te cabe. Como se fosse possível justificar o porquê e pra que gostar de determinada pessoa... Quanta bobagem.

Juliana Xavier

domingo, 28 de março de 2010

Cabeça inimiga

E , então, retorno. Não ainda com aquela certeza encabeçada de que tudo daqui pra frente se ordenará diferente. De que foi uma fase, uma maré de azar que se seguiu depois daquele ano passado tão incrível.
De seguro, carrego que muita coisa foi tirada dessa hecatombe que completa aniversário de dois meses dia seis de abril.
Ensinamentos que vieram em ondas de Gardenal e ansiolítico. Período em que nada abstraia, o pensamento desembocava em um lugar só e dava vontade de mexer a perna embaixo da mesa.
A resposta era sempre aquela, teria de ser aquela: Vocês não entendem!
Os achismos e uma gama de opiniões que gotejavam desespero e davam vontade de desmaiar. Um corpo cansado de uma mente inimiga.
E, disso tudo,relativizei preceitos, ou melhor, dogmas que sempre carreguei em minha vida. As memoráveis lembranças de Clarice na época do colégio, aquele gostinho tão saboroso de começar uma nova fase, de provar de um desconhecido e começar a se encontrar nele. Lembrava aquela brincadeira da caixa, um objeto escondido e com perguntas alguém no final arremata dizendo: É UMA CANETA??
À mim, chegou o momento, em que na caixa nem eu sabia o que se escondia e que as perguntas passaram a cortar, dar sudorese e crise de desespero.
Nada era tão bonito. Não existia o amor perfeito. E minhas lágrimas não findariam depois daquela primeira vez.
Jamais poderia dizer que Clarice errou ao querer ser aquela pergunta, mas não para mim. A certeza pautava minha vida, a apuração até chegar a verdade máxima, querer o incontestável. Dormir abraçado com ele e nunca titubear em afastá-lo do dia dia.
Mas , as vezes, tudo é reordenado. A vida vira de ponta cabeça e , como mostrou Buñuel, não se pode sair da sala até que tudo volte a posição inicial.
Hoje, já consigo dormir. Aqueles sonhos voltaram. Consigo sorrir e os cortes das tantas perguntas estão cicatrizando. Faço desta passagem por aqui , uma forma de galgar respostas as minhas perguntas mais escondidas. Talvez, não podendo ser uma pergunta,porém estar apto a encontrar várias respostas. Coloridas, recíprocas e minhas.

Lucas Galati

terça-feira, 16 de março de 2010

Não mais escrevo...Agora, eu apuro.

Fica tão chato colocar remédios na estante. Aqueles dias, em que os parágrafos se perdem e o sono parece mais forte. Cálculo por cálculo, o X é encontrado e o que se faz com aquilo? As tardes, dentro de uma sala quente publicando dizeres e interpretações. Nunca suas.
Andar ao lado do pedante... Por que mexo os braços? Por que tremo as pernas? Estou com bafo? E se torcer meu pé na próxima esquina? Qual a probabilidade de ser assaltado aqui? Hoje, quem morreu?
Saindo daqui, chego em casa, cago, assisto "Alma Gêmea" e vou dormir até o horário da faculdade, até mais um compromisso, até um dia de pensamentos novos, quem sabe?
Feliz apenas em saber , que comigo, por todo esse tempo, não foi assim. Criei uma obsessão que me safou dessas particularidades, que fez eu virar as costas pro mundo e me proteger de uma chatice: A de começar uma vida.
De pensar em compromissos, de não poder beber em uma quinta feira, de não dar tempo, de ouvir esporros e ficar quieto. As fotos ficavam mais velhas, as estórias mais antigas e tive de me satisfazer com o que tinha sido. Com o vivido. Por todo esse tempo, pautei uma vida em uma nostalgia e agora esse outro assusta.
Para você, eu podia dizer tudo. Gritar, xingar e não falar por algum tempo. Tinha sempre a certeza que o normal voltaria. Queria ser notado, ver que era importante ou que tinha alguma razão em tudo aquilo que dizia. E sempre consegui.
Então, vinham os encantos. Meus sonhos secretos. Até desenhava. Minha voz não ficava rouca e abstraia qualquer tempo de relaxamento para o um dia. Um dia, chegaria... Desmentia em enfáticas afirmações de que não sabia o que queria. Pois te digo, sempre soube. E das minhas atitudes , acho que nunca existiu uma única dúvida.
E então multipliquei trinta com três e vieram tantos dias. Mordaça! Já não poderia falar aquilo tudo de antes e você já estava a léguas daqueles contos em meu diário. Talvez, até com alguém. E se o aquilo ,já amarelado, não era pensado, agora ainda existia a raiva. Vixi! Mistura azeda... E de gosto tão forte, que os dentes deixaram de sair. Seriedade e apuração, apuração e apuração. Sou jornalista!
Sem vida, sem saco, de porre, atento. Agora, minhas cores eram virtuais, meu ritmo? o da Internet, minhas quintas cansadas. Parágrafos de sangue naquele que nunca pensou em largar a boêmia. Nesse patético sonhador, que nunca quis abrir mão de você, que gostava de cutucar, que fazia da vida uma brincadeira.
E obsessivo sim, talvez, um psicopata , mas que sorria e não tinha vergonha de ser feliz - por mais clichê que a frase seja.
Agora, redescubro... Nesses meandros , refaço minha felicidade e sigo em frente. Mais cético, sem tantas cores, mas ainda humano. Os ossos do ofício nunca poderiam tirar meus sorrisos, minhas neuras. Sem você, elas apenas se fazem mais presentes.
Precisei de um pause, mas meu deadline era de cinco minutos. Postergando reinvento uma vida, agora, sem o antigo. Sem bilhetes, sem abraços e conversas sinceras na frente da praia.
Tenho prazo e já está muito tarde. Tenho que dormir.
Boa noite e obrigado pelas melhores memórias.

Lucas Balieiro

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

no repeat

Você tem medo que eu cresça
Você tem medo que eu mude
Você não quer que eu cresça
Você não quer que eu mude
Aí você congela pequenos frames, detalhes ínfimos de histórias mal acabadas pra usar no seu quebra-cabeça capenga. Como se o tempo fosse parâmetro pra intensidade das coisas vividas. 2 anos de namoro, 5 anos de convivência, 23 anos de casamento e mais uma porção de anos que são armas pra estufar o seu peito: ‘eu te conheço!’
Me conhece?! Pra você pegar esse quebra cabeças e montar toda santa vez que a gente se encontra? Pra você usar a sua teia de memórias pra me dar puxão de orelha: ‘ei! Você não era assim’?
Sabe o que você não sabe?! Eu tenho o direito de ser o que eu quiser.
E não querendo admitir a sua importância, mas já admitindo: eu aceito as suas ordens e suposições. Eu quero e (não) quero me perder de você.
Eu não sei em que medida que eu quero me perder (com) você.
Admito um monte de falhas, conto histórias por cima, acordo irritada, fico sussa, aí fico puta de novo e fico sussa de novo – não com você (nunca foi com você), mas com a situação.
Eu não me dou o direito de ser o que quiser com você. Viro até um bicho completamente desumanizado: não cago, não peido, não vomito, peço desculpa, fico sem graça e não tenho o direito de errar na intenção, na maldade.
Por que eu te devo tanta coisa, hein?! Por causa do tempo que a gente se conhece?!

Juliana Xavier

Entrepostos

Não foi por um blog não dito. Nunca fui muito bom na arrogância. E tenho exímios planos para conseguir esmiuçar segundos de descaso.
Sentimentalmente patético, não decido, postergo. Na esperança de algum sinal, de saber se aquele caminho estaria me levando a algum lugar mais desconhecido ainda.
Eram voltas ali, caras e bocas, um frágil otimismo e o nada , famoso símbolo de resposta pronta. Meu nada e o não acontecer delimitado diariamente até o ponto que já não existem dúvidas. Tamanha vida chata. Não podendo existir qualquer pergunta, aquilo se quebraria. Por não ter sido formulado assim. Foi construído na desordem e, dessa vez, um prefixo detonaria aqueles últimos vestígios. Os últimos respiros de nuvens, a luz que entrava pela janela e dançava com o vento.
Enquanto ainda podia me perguntar, poetei.
Nos momentos que vi o contra fluxo, quis chorar.
E esperando outros dias, conseguia fazer versos do álcool de minhas noites, das folhas de minhas árvores, das cores de um entardecer.
Foram crônicas, poemas, estórias imaginadas e permeadas pelo não saber.Pois enquanto via razão para desconhecer, eu o quis. E fui tecendo uma coberta que deu subsídio para os tantos sonhos. Acreditei naquele enredo e não gostava de pontos finais.
Mas eles vieram, quebrando grafites.
Fui tachado como sonhador, como o grande artista criando estória para boi dormir. Postando bestialidades durante a madrugada, cuspindo verbos secos e amargos sem razão. Sociopata. Obsessivo. Doente. Extremista.
No fim das contas, fui a personagem principal de uma estória sem enredo, sem elenco e sem autor.
Por aqui,ainda acredito que não tenha sido isso. Seria triste demais. Mas me deram essa orelha e eu quis ouvir. Desacredito, mas parei de indagar. E ,hoje, acho bastante definido.
Linhas exatas de não existir. E isso corta aqui dentro.
No agora, o que faço é somente um bem a você. Queria diferente, mas não posso voltar a construir linhas , não tendo mais perguntas. Não posso viver no pálpavel, nesse enfadonho dizível.
Chegou a hora, de fazer linhas com os alguéns que , de fato, conquiste. Nas pessoas que estão ali para você. Em amigos seus.
Desaproprie-se daquilo dado de mãos abertas, enquanto ainda tantas dúvidas emanavam. Enquanto frases estavam sendo feitas, tendências reforçadas, sentimentos percebidos.
Tudo foi explicado, e a não resposta daquele último texto, cortou demais. E aqueles choros oprimidos depois do Dia de Natal, são muito fundos. E o vômito escorrendo depois do impossível ouvido, são escolhas feitas.Ou ,talvez, a facilidade em dizer: quão sonhador, o menino.
O que se sabe é que sem perguntas, o grafite quebra. E, a imaginação tão endossada, me falha e não consigo recomeçar parágrafos. Há coisas que não podem ser feitas de nuvens.
Ainda assim, não faço para atingir ou por egoísmo. Faço por não gostar de caras feias, por querer que ainda conquiste e me desafiar com a não entrega. Simplesmente.
Em vista, aquela raiva imaculada. Caminhos dos mais fáceis.
Cortante, ver o branco dos dentes se misturar com a água que os olhos regavam.
Silêncio, quando , mais uma vez, se passou e ninguém viu.

Lucas Balieiro

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

we just want the attention

Eu olho pra sua vida e tento achar alguma fresta, nicho ou até quina onde eu possa caber.
Eu olho pra minha vida: examino os espaços que eu deixaria você tomar.
Aí eu cruzo as nossas vidas e a história é exatamente a mesma: escola católica, primeiro beijo, primeiro porre, íris, more than words, gás de isqueiro, kurt cobain, benflogin, primeiro beck frouxo, donnie darko, primeira vez, los hermanos, viagem de formatura, c.r.a.z.y., cursinho, faculdade, estágio e as únicas mudanças palpáveis são duas: agora temos carta, taking risks com o carro da família e admitimos escutar música pop sem grandes problemas. Pra terminar bem o ciclo: madonna, justin timberlake e lady gaga estão sim no seu e no meu ipod.
Eu paro no estágio e nos gostos musicais porque é aonde estamos agora. E mais: eu paro no estágio porque eu não sei se eu aceito essa cartilha pré-fabricada. É como se todos os velhos do mundo virassem pra mim e dissessem que não tem mais surpresa alguma. Tudo bem, pode até ser verdade. Mas eu prefiro acreditar que não.
Você entende?! Eu tenho 1000 kg nas minhas costas. Tenho duas mãos também. E não vai ser o tempo, o acaso, a predestinação ou qualquer explicação patética que tenta ordenar caminhos diferentes que vão conseguir margear o meu pragmatismo – ou eu posso seguir essa cartilha ou eu posso rasgá-la.
Se eu quero passar pela sua vida, que seja pra tirar os seus pés do chão. E se você tem a pretensão de ter algum papel na minha, que seja pra me trazer de volta.

Juliana Xavier

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

faxina

Não quero suavizar palavra nenhuma.
Pois as coisas que eu tenho a dizer, meu amigo, não são nada suaves. Os is com seus pingos têm os seus devidos pontos finais bem acima das suas cabeças.
Portanto, vamos à nossa tão evitada revisão:
Já tentei aceitar a premissa de que a gente não tem fim. Afinal, existe história entreaberta?!
Se a nossa fosse possível, seria a primeira. Mas tanto eu como você somos completamente inacabados: confusos, contraditórios e mentirosos. Eu não tenho a menor capacidade de ter reboco, mas consigo sim exigir de você paredes lisas.
Foi o começo de um padrão: você me fez gostar de casas sem teto e sem nada. E lá vou eu, com o meu colchãozinho inflável e minhas garrafinhas d’água: desloco-me até para terrenos baldios.
Usando uma maturidade que eu não tenho, tentando ser picareta idem.
Não peça nunca para uma criança, como eu, cuidar da casa sozinha.
Não peça paciência que, desculpa, eu não vou ter mesmo.
E somos exatamente isso: eu, menina. Você, moleque.
...
Bagunça!

Juliana Xavier

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Imaginário

E assim disse – sem rodeios.
Cravando no silêncio daqueles dois corpos,
Uma negação.
Com silhuetas daquelas palavras já tão afirmadas.
Aquelas do começo.

Os pés em terra,
Margeando o limiar de um barranco,
- Minha clivagem não resolvida.
Uma dança rarefeita,
Dos sem timbres.
Dança rouca e
nua.

À frente aquela reconfortante porta aberta,
De todos os dias,
A maçaneta com apenas um parafuso,
A madeira, já com farpas,
O barulho conhecido
E a porta nunca fechada.

O humano teme.
O humano chora.
Ele nega, não adentra, muito menos, pula.

Fincou-se ao barro de tal forma,
Que o esbofeteio, de certo, seria pior.
E foi...
Veio com a força daquilo mais sonhado,
Com a incredulidade de uma atitude leviana.
Um cuspir gélido na cara daquele que errou em acreditar.

A porta aberta nas antigas,
Sem pulo,
Margeando o nada,
Um não diferenciar entre o permanecer e o adeus.
Não se entra , nem se sai.
Não se pula, não se vai.
Sem pontos,
apenas fatídicas reticências.

Lucas Balieiro

sábado, 9 de janeiro de 2010

lost in thought


Você
Vem
Ou
Fica
Pra
Próxima?
Eu quero: com ou sem acompanhante, subjetivamente negando todas as possibilidades de encontro, mas querendo que aconteça tudo de uma só vez
Quero milhares de próximas
O meu único medo é sentir de novo aquele desespero ou euforia em níveis extremos
Porque depois disso, é só ladeira. LSD brincando com cores&sabores sem ao menos precisar de ¼ do papelzinho dissolvendo na minha língua.
(E triste será se você não for tudo isso. Se não for, eu prometo que recorro a um doce inteiro em doses cavalares).
Pra falar a verdade? Sempre achei que drogado maior é aquele que nunca se recuperou de dor de amor. Pois aquelas costas, calos e mãos não se vêem à toa por aí. Elas foram minhas, my first love.
Agora eu to pronta pra conhecer uma nova piscina de bolinhas. Dá pra você vir logo?

Juliana Xavier

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

It´s not worth it

Eu via acontecer. Repetia-se. E não estou aqui a favor do maniqueísmo. Apenas da humanidade, de um ser que qualquer humano seria. Na força do verbo, reflete as ações. E eu via acontecer.Eu via.
Não grande conhecedor, filósofo, romântico ou piegas. Apenas alguém com o mesmo caminho, um espectador que , aqui, sente vontade de gritar: "Pára! Esse caminho não vai dar em nada. E não por você, jovem. Mas, pelo outro. Dali conheço cada meandro."
Existirão os escritos e carregados de bonitas palavras, esteja certo. Lá dentro, você terá vontade de acreditar , estará seguro que não é apenas sua cabeça.Pois, engana-se brutalmente. A beleza torna-se cega e seu trunfo és mágico. As bonitas palavras são para os tantos e apenas atiçam o querer saber.Pois, desconheça!
Ingênuos fazem-se os dois. Das tamanhas vontades retidas num pensar , talvez, mais aconchegante. Não farei de sua, a minha estória. Já tive meu capítulo, já tentei dizer, escrevi um livro sobre tudo aquilo. Porém, nunca tive qualquer esclarecimento, apenas a certeza da dúvida, o brincar do diferente.
Do fundo do coração, quero que haja inversões. Que você não tenha jamais que ouvir aquilo que já tive, que não chore pelas mesmas razões, que não tenha vergonha de seus sentimentos. Que se respeite e encontre alguém que sinta valer a pena. Sendo aquele outro, ou qualquer que passar em seu traçar.
Não pense no único, desconfie do amor. Não é tão fácil assim!

Lucas Balieiro

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

castelinho de areia

Em meio a tantos textos de amores e desamores, quero escrever sobre o meu amor do dia-a-dia.
Pois parece que a areia nos fez mal. A areia que fez com que tudo fosse jogado por água abaixo. No meu desespero bêbado, achei que fosse o fim. Chorei, bati o pé e gritei. Não tinha espaço para pequenos orgulhinhos ou hesitações sobre humilhação em demasia.
No dia seguinte, nenhuma palavra trocada. Nenhum sorriso também. No dia 31 tive que passar o meu dia em branco, não podia comemorar com quem mais deveria. Quer dizer, não poderia celebrar o único ritual que eu acredito com quem de fato eu deveria comemorar. Fez os meus dias e noites e, na passagem de ano, nada.
Danem-se as pedras, o mar nos meus pés, o dia de vento refrescante. Natureza alguma me emociona quando você decide ficar em silêncio.
A passagem do ano chega, e eu sabia que iríamos voltar a nos falar. Mas falar o que? Sobre briga tosca e incomum? Sobre não esperar que isso tivesse acontecido? Pois bem, você, que é o meu espelho, deveria saber sobre os meus impulsos. Nunca me envergonhei deles, sempre me trouxe tantos trunfos e ressacas morais passageiras.
Não venha querer jogar tudo fora por causa de areia. Pois eu consegui me limpar, bastou tomar uma ducha. E mesmo se não conseguisse, bastava tirar os ciscos dos olhos.
Essa foi a única vez que o seu romantismo me trouxe problemas. Os passos seguros não existem mais, estamos dando nossa cara a tapa até entre nós mesmos.
Por mais que eu me desespere, só espero que saiba que esse casamento não chegou ao fim. O meu pedido já foi feito de joelhos, com flautas cantantes e alianças imaginárias. Temos uma vida inteira pela frente. Assusta por medo de decepcionar – somos duas cabeças e corações agora - mas nunca fui tão feliz.
Eu te amo.
Você é uma extensão de mim, e eu não consigo terminar esse texto sem encher os meus olhos d’água.

Juliana Xavier

Palavras e sonhos

O meu dizer por quanto aqui já foi feito. Nos tempos em que acreditava que inventar estórias poderiam fazer de mim alguém mais completo. Naqueles tempos, em que um sinal, um toque, o sorriso já davam subsídios para minha imaginação. Por quanto aqui criei.
Relatando contos de outros, destacando partes de músicas, falando de amor. Tenho aqui parte de minha melhor e mais triste vivência, tenho aqui uma parte de vida não minha.Parte de vida passada, meu eu deixado de lado.
Mas o "emgoles" já não pode suprir tamanha necessidade ou tão grande frustração. Transformei toda uma lógica,descontei na idade e segui em frente. Consegui guardar as palavras, não quebrei o cristal e o copo dessa vez não transbordou. Mantive-me na distância conhecida, no respeito de sem mágoas, tentar fazer meu viver longe de qualquer represálias ou sem causar transtorno a corações que também batiam.
Tentar aceitar que não era único. Que no outro, o coração pulsava vermelho tanto quanto o meu. Tentar não descriminar. Chorar, mas não ter raiva. Entender o nunca acontecido, o doer do impossível. Meu primeiro contato com o dual.
Tudo , por aqueles lados, me chama. Não só o fora,mas o dentro. Não se sabe o mais belo. Por aquelas terras, achei poder viver diferente.Transgredir e conseguir sorrir todos os dias. Só ali, não teria medo.
Do outro lado, ver o tão diferente. Um oposto, o enxergar trivial, tão não meu. Silenciar, aqui tenho. O "emgoles" já não aguentaria. Foi o mesmo durante muito tempo.
Dual, sabe que se é. Destrói-me apenas pensar que a postura por meses adquirida desagua em uma semana de todo dia. Estar sem forças, não enxergar mais lados e conhecer o estável. O unilateral. Aquela dor por dentro. Prefiro palavras e sonhos. Repetidas. Agora, em lugar desconhecido. O "emgoles" já não suportaria. Nunca me senti tão perdido.

(tentativa de postar no Emgolesacidos, mas não consegui... Tive medo)

Lucas Balieiro

Meu único poema

O amor de alguém,
do não sonhos.
O amor seu,
sentido no aqui dentro.

O sangue por hoje esvai e
sou dos poucos que conhece o perfeito.
És onírico ainda, mas tenho o gosto.
Carrego o possível. Nos poemas, no fechar de olhos.
No olhar de Lua.

Ingenuidade por si só.
E se pode até ser,
já nada me importa,
Parto, pois, sozinho.
Roubando o seu olhar para outros e os fazendo meus.

Ladrão por opção. Enfiltrado em segredos. Sou e ninguém sabe.
Em doses não tidas. Sou o hoje, viciando em veneno forte.
Desse sonhar constante e pensar no um dia.

Lucas Balieiro

Achismo vermelho

E faltava um instante meu. Um único momento. Daqueles para se tocar, se ver no espelho e fazer caretas. Um simples passar de ponteiros e não ouvir sua própria voz.
Aqui, vejo tudo aquilo que poderia ser. Mimético, me disfarço nas paredes, sumo pelas frestas encardidas do banheiro. Entupo ralos. Sou amorfo aqui sozinho. E quero. Quero. Aceito meu estado.
Tão impotente, repenso diferente. Perfaço caminhos antigos fantasiando outras lógicas. " De uma vida de amor, faz-se feliz?"
No entanto, cá apenas canto. Estrofes de rimas bonitas, com o sentido dos alguéns. Expressões mais dignas , definições precisas do meu sem você. Só penso, mas tal condição, não têm finais em beijos. Nosso amor não poderia ser feito de instantes. E se assim, prefiro ele sonhado.
Sou parede, sou crosta e incompleto. Dou apenas continuidade. E , lá dentro, o nada a ser feito. Endossar o dito, hoje, me cansa. Adentrar a crença de um diferente? Extinta pintando visível.
Termino com a satisfação dos olhares, desse não saber revisado. Termino com o pensar que uma vez poderia ler para você o que tudo escrevo. Acho que te amo.

Lucas Balieiro

Perpétuo

Seriam apenas sentimentalidades? Fugazes desejos juvenis? Seriam certezas por mim criadas? Vivências ou inércia?
Por esses dias vi a praia, vi um mar, vi Lua, fiz pedidos. Aflorei. Nestes dias, eu chafurdei em meio a instantes que pareciam chamar. Partículas bucólicas terminando, iniciando,compondo liga. Partículas reluzindo e sumindo junto ao vento.
Estive na praia e no por todo vi que o nada já não existia e que carregava apenas o sempre ao meu lado.
Com as mãos na areia, imaginei mais algumas situações. Culpa de mar, resquício de lusco fusco. Reconfortava e esquecia em ordens imprecisas. Nestas partículas de instantes e em bucólicos sentimentos que se pode fazer acontecer, em que se diz e se vê algo de cabeça contrária.
Estranho, no sempre, acabar por aqui. Confabulando palavras, fantasiando ordens, duvidando de minhas não respostas. Terminar por sempre bolando minhas teorias para algo que nunca deixara a inexistência.

Lucas Balieiro