Quero abrir uma fresta na sua vida pra parar de achar que o que você tá fazendo agora é bem mais superior, elevado ou mundano que a minha noite saudosista.
Tenho certeza que você tá fazendo carinho na Mel, puto com a sua insônia. Eu colocaria Gonzales no ipod pra dispensar metáforas às minhas intenções.
Aliás, quero que se foda quem inventou metáfora. Esses iluministas, racionalistas das “artes, ciências e ofício”, convenientemente se esqueceram de considerar o hemisfério direito do cérebro, o bon vivant hedonista que não sente ressaca moral.
Os violinos dessa época dariam conta de atiçar a única vontade (até mesmo aos criadores da metáfora) que dá ao ouvir uma música como essa, por exemplo. E ao invés de dizer ‘eu quero’ – porque seria simples demais – falariam de uvas ou bicicletas: caroço, graxa, cacho e corrente.
Eles não têm ideia do estrago que fizeram: criaram subsídios lingüísticos aos seres humanos para todo mundo se sentir confortável em ser demasiadamente humano.
Metáfora, autocontrole, sexo, são apenas palavras. Acho que a gente se esqueceu o quanto elas não significam muita coisa.
Juliana Xavier
Nenhum comentário:
Postar um comentário