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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Meu nome não começava com D

Difícil. Não pensaste de onde surgia aquele convite?
De dentro, de tudo que nunca foi,
De tudo, que nunca seria.
Disse.

Dialoguei com tacanhas,
desprezei os incertos.
Deturpei Diogos,
Difamei Danieis,
de certo, faria de novo.
Dor de pequeno,
dilatando amor,
dizendo na tentativa de conquistas,
de olhos abertos até amarelar o dia,
devaneando em suas sobrancelhas,
dissipando qualquer não saber,
deixando de lado , indelicadezas ou verborragias antes acontecidas.
Dali, os dois corpos silenciavam suas maiores verdades,
declamavam seus sentires tão hedonistas em soslaios,
desajeitados ainda com pudores -
se devia, queria, podia?

Do fim, disse.
Deveras ingênuo, pois desconhecia.
Disse antes que amarelasse outro dia, antes que sobrancelhas caíssem.
Disse antes de ser indelicado.
Disse o convite.
Eu disse.

De lado,
De vulto,
de soslaio,
decrépito.
Do chão, denegriu negativas ditas de maneira tão natural.

Do dia seguinte,
de novo a distância.
Da culpa de um só ,
da loucura deste e de sua disponibilidade para a relação.

Derramando novos verbos,
de essência tão ácida,
deturpando a história do convite.

Dias outros passaram,
da viagem já acontecida,
dizer de você sempre fazia sentido,
dessa vez,
também fez.

Disse e você vomitou tantos Ds.
De tom baixo, sua voz
disse ter outro amor,
disse que quem fizera o convite fora você,
de fato usando minha idéia,
disse que veria o mar,
disse que estaria ao lado do Daniel.
Disse pensar no Diogo.
Disse que casaria com o Danilo.
Disse.
Difícil,
De dentro,
De tudo,
um outro D.

Depois me perguntas embriagado sobre
distância,
disponibilidade,
desconexões e eu
derreto em novas elocubrações,
deteriorando meus princípios,
decorrendo justificativas de seus nãos,
da inanição de uma amizade nunca existente.
Dos anos que se passaram,
do que não foi feito
e do que nunca será.

Lucas Galati

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