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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

faxina

Não quero suavizar palavra nenhuma.
Pois as coisas que eu tenho a dizer, meu amigo, não são nada suaves. Os is com seus pingos têm os seus devidos pontos finais bem acima das suas cabeças.
Portanto, vamos à nossa tão evitada revisão:
Já tentei aceitar a premissa de que a gente não tem fim. Afinal, existe história entreaberta?!
Se a nossa fosse possível, seria a primeira. Mas tanto eu como você somos completamente inacabados: confusos, contraditórios e mentirosos. Eu não tenho a menor capacidade de ter reboco, mas consigo sim exigir de você paredes lisas.
Foi o começo de um padrão: você me fez gostar de casas sem teto e sem nada. E lá vou eu, com o meu colchãozinho inflável e minhas garrafinhas d’água: desloco-me até para terrenos baldios.
Usando uma maturidade que eu não tenho, tentando ser picareta idem.
Não peça nunca para uma criança, como eu, cuidar da casa sozinha.
Não peça paciência que, desculpa, eu não vou ter mesmo.
E somos exatamente isso: eu, menina. Você, moleque.
...
Bagunça!

Juliana Xavier

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Imaginário

E assim disse – sem rodeios.
Cravando no silêncio daqueles dois corpos,
Uma negação.
Com silhuetas daquelas palavras já tão afirmadas.
Aquelas do começo.

Os pés em terra,
Margeando o limiar de um barranco,
- Minha clivagem não resolvida.
Uma dança rarefeita,
Dos sem timbres.
Dança rouca e
nua.

À frente aquela reconfortante porta aberta,
De todos os dias,
A maçaneta com apenas um parafuso,
A madeira, já com farpas,
O barulho conhecido
E a porta nunca fechada.

O humano teme.
O humano chora.
Ele nega, não adentra, muito menos, pula.

Fincou-se ao barro de tal forma,
Que o esbofeteio, de certo, seria pior.
E foi...
Veio com a força daquilo mais sonhado,
Com a incredulidade de uma atitude leviana.
Um cuspir gélido na cara daquele que errou em acreditar.

A porta aberta nas antigas,
Sem pulo,
Margeando o nada,
Um não diferenciar entre o permanecer e o adeus.
Não se entra , nem se sai.
Não se pula, não se vai.
Sem pontos,
apenas fatídicas reticências.

Lucas Balieiro

sábado, 9 de janeiro de 2010

lost in thought


Você
Vem
Ou
Fica
Pra
Próxima?
Eu quero: com ou sem acompanhante, subjetivamente negando todas as possibilidades de encontro, mas querendo que aconteça tudo de uma só vez
Quero milhares de próximas
O meu único medo é sentir de novo aquele desespero ou euforia em níveis extremos
Porque depois disso, é só ladeira. LSD brincando com cores&sabores sem ao menos precisar de ¼ do papelzinho dissolvendo na minha língua.
(E triste será se você não for tudo isso. Se não for, eu prometo que recorro a um doce inteiro em doses cavalares).
Pra falar a verdade? Sempre achei que drogado maior é aquele que nunca se recuperou de dor de amor. Pois aquelas costas, calos e mãos não se vêem à toa por aí. Elas foram minhas, my first love.
Agora eu to pronta pra conhecer uma nova piscina de bolinhas. Dá pra você vir logo?

Juliana Xavier

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

It´s not worth it

Eu via acontecer. Repetia-se. E não estou aqui a favor do maniqueísmo. Apenas da humanidade, de um ser que qualquer humano seria. Na força do verbo, reflete as ações. E eu via acontecer.Eu via.
Não grande conhecedor, filósofo, romântico ou piegas. Apenas alguém com o mesmo caminho, um espectador que , aqui, sente vontade de gritar: "Pára! Esse caminho não vai dar em nada. E não por você, jovem. Mas, pelo outro. Dali conheço cada meandro."
Existirão os escritos e carregados de bonitas palavras, esteja certo. Lá dentro, você terá vontade de acreditar , estará seguro que não é apenas sua cabeça.Pois, engana-se brutalmente. A beleza torna-se cega e seu trunfo és mágico. As bonitas palavras são para os tantos e apenas atiçam o querer saber.Pois, desconheça!
Ingênuos fazem-se os dois. Das tamanhas vontades retidas num pensar , talvez, mais aconchegante. Não farei de sua, a minha estória. Já tive meu capítulo, já tentei dizer, escrevi um livro sobre tudo aquilo. Porém, nunca tive qualquer esclarecimento, apenas a certeza da dúvida, o brincar do diferente.
Do fundo do coração, quero que haja inversões. Que você não tenha jamais que ouvir aquilo que já tive, que não chore pelas mesmas razões, que não tenha vergonha de seus sentimentos. Que se respeite e encontre alguém que sinta valer a pena. Sendo aquele outro, ou qualquer que passar em seu traçar.
Não pense no único, desconfie do amor. Não é tão fácil assim!

Lucas Balieiro

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

castelinho de areia

Em meio a tantos textos de amores e desamores, quero escrever sobre o meu amor do dia-a-dia.
Pois parece que a areia nos fez mal. A areia que fez com que tudo fosse jogado por água abaixo. No meu desespero bêbado, achei que fosse o fim. Chorei, bati o pé e gritei. Não tinha espaço para pequenos orgulhinhos ou hesitações sobre humilhação em demasia.
No dia seguinte, nenhuma palavra trocada. Nenhum sorriso também. No dia 31 tive que passar o meu dia em branco, não podia comemorar com quem mais deveria. Quer dizer, não poderia celebrar o único ritual que eu acredito com quem de fato eu deveria comemorar. Fez os meus dias e noites e, na passagem de ano, nada.
Danem-se as pedras, o mar nos meus pés, o dia de vento refrescante. Natureza alguma me emociona quando você decide ficar em silêncio.
A passagem do ano chega, e eu sabia que iríamos voltar a nos falar. Mas falar o que? Sobre briga tosca e incomum? Sobre não esperar que isso tivesse acontecido? Pois bem, você, que é o meu espelho, deveria saber sobre os meus impulsos. Nunca me envergonhei deles, sempre me trouxe tantos trunfos e ressacas morais passageiras.
Não venha querer jogar tudo fora por causa de areia. Pois eu consegui me limpar, bastou tomar uma ducha. E mesmo se não conseguisse, bastava tirar os ciscos dos olhos.
Essa foi a única vez que o seu romantismo me trouxe problemas. Os passos seguros não existem mais, estamos dando nossa cara a tapa até entre nós mesmos.
Por mais que eu me desespere, só espero que saiba que esse casamento não chegou ao fim. O meu pedido já foi feito de joelhos, com flautas cantantes e alianças imaginárias. Temos uma vida inteira pela frente. Assusta por medo de decepcionar – somos duas cabeças e corações agora - mas nunca fui tão feliz.
Eu te amo.
Você é uma extensão de mim, e eu não consigo terminar esse texto sem encher os meus olhos d’água.

Juliana Xavier

Palavras e sonhos

O meu dizer por quanto aqui já foi feito. Nos tempos em que acreditava que inventar estórias poderiam fazer de mim alguém mais completo. Naqueles tempos, em que um sinal, um toque, o sorriso já davam subsídios para minha imaginação. Por quanto aqui criei.
Relatando contos de outros, destacando partes de músicas, falando de amor. Tenho aqui parte de minha melhor e mais triste vivência, tenho aqui uma parte de vida não minha.Parte de vida passada, meu eu deixado de lado.
Mas o "emgoles" já não pode suprir tamanha necessidade ou tão grande frustração. Transformei toda uma lógica,descontei na idade e segui em frente. Consegui guardar as palavras, não quebrei o cristal e o copo dessa vez não transbordou. Mantive-me na distância conhecida, no respeito de sem mágoas, tentar fazer meu viver longe de qualquer represálias ou sem causar transtorno a corações que também batiam.
Tentar aceitar que não era único. Que no outro, o coração pulsava vermelho tanto quanto o meu. Tentar não descriminar. Chorar, mas não ter raiva. Entender o nunca acontecido, o doer do impossível. Meu primeiro contato com o dual.
Tudo , por aqueles lados, me chama. Não só o fora,mas o dentro. Não se sabe o mais belo. Por aquelas terras, achei poder viver diferente.Transgredir e conseguir sorrir todos os dias. Só ali, não teria medo.
Do outro lado, ver o tão diferente. Um oposto, o enxergar trivial, tão não meu. Silenciar, aqui tenho. O "emgoles" já não aguentaria. Foi o mesmo durante muito tempo.
Dual, sabe que se é. Destrói-me apenas pensar que a postura por meses adquirida desagua em uma semana de todo dia. Estar sem forças, não enxergar mais lados e conhecer o estável. O unilateral. Aquela dor por dentro. Prefiro palavras e sonhos. Repetidas. Agora, em lugar desconhecido. O "emgoles" já não suportaria. Nunca me senti tão perdido.

(tentativa de postar no Emgolesacidos, mas não consegui... Tive medo)

Lucas Balieiro

Meu único poema

O amor de alguém,
do não sonhos.
O amor seu,
sentido no aqui dentro.

O sangue por hoje esvai e
sou dos poucos que conhece o perfeito.
És onírico ainda, mas tenho o gosto.
Carrego o possível. Nos poemas, no fechar de olhos.
No olhar de Lua.

Ingenuidade por si só.
E se pode até ser,
já nada me importa,
Parto, pois, sozinho.
Roubando o seu olhar para outros e os fazendo meus.

Ladrão por opção. Enfiltrado em segredos. Sou e ninguém sabe.
Em doses não tidas. Sou o hoje, viciando em veneno forte.
Desse sonhar constante e pensar no um dia.

Lucas Balieiro

Achismo vermelho

E faltava um instante meu. Um único momento. Daqueles para se tocar, se ver no espelho e fazer caretas. Um simples passar de ponteiros e não ouvir sua própria voz.
Aqui, vejo tudo aquilo que poderia ser. Mimético, me disfarço nas paredes, sumo pelas frestas encardidas do banheiro. Entupo ralos. Sou amorfo aqui sozinho. E quero. Quero. Aceito meu estado.
Tão impotente, repenso diferente. Perfaço caminhos antigos fantasiando outras lógicas. " De uma vida de amor, faz-se feliz?"
No entanto, cá apenas canto. Estrofes de rimas bonitas, com o sentido dos alguéns. Expressões mais dignas , definições precisas do meu sem você. Só penso, mas tal condição, não têm finais em beijos. Nosso amor não poderia ser feito de instantes. E se assim, prefiro ele sonhado.
Sou parede, sou crosta e incompleto. Dou apenas continuidade. E , lá dentro, o nada a ser feito. Endossar o dito, hoje, me cansa. Adentrar a crença de um diferente? Extinta pintando visível.
Termino com a satisfação dos olhares, desse não saber revisado. Termino com o pensar que uma vez poderia ler para você o que tudo escrevo. Acho que te amo.

Lucas Balieiro

Perpétuo

Seriam apenas sentimentalidades? Fugazes desejos juvenis? Seriam certezas por mim criadas? Vivências ou inércia?
Por esses dias vi a praia, vi um mar, vi Lua, fiz pedidos. Aflorei. Nestes dias, eu chafurdei em meio a instantes que pareciam chamar. Partículas bucólicas terminando, iniciando,compondo liga. Partículas reluzindo e sumindo junto ao vento.
Estive na praia e no por todo vi que o nada já não existia e que carregava apenas o sempre ao meu lado.
Com as mãos na areia, imaginei mais algumas situações. Culpa de mar, resquício de lusco fusco. Reconfortava e esquecia em ordens imprecisas. Nestas partículas de instantes e em bucólicos sentimentos que se pode fazer acontecer, em que se diz e se vê algo de cabeça contrária.
Estranho, no sempre, acabar por aqui. Confabulando palavras, fantasiando ordens, duvidando de minhas não respostas. Terminar por sempre bolando minhas teorias para algo que nunca deixara a inexistência.

Lucas Balieiro