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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Achismo vermelho

E faltava um instante meu. Um único momento. Daqueles para se tocar, se ver no espelho e fazer caretas. Um simples passar de ponteiros e não ouvir sua própria voz.
Aqui, vejo tudo aquilo que poderia ser. Mimético, me disfarço nas paredes, sumo pelas frestas encardidas do banheiro. Entupo ralos. Sou amorfo aqui sozinho. E quero. Quero. Aceito meu estado.
Tão impotente, repenso diferente. Perfaço caminhos antigos fantasiando outras lógicas. " De uma vida de amor, faz-se feliz?"
No entanto, cá apenas canto. Estrofes de rimas bonitas, com o sentido dos alguéns. Expressões mais dignas , definições precisas do meu sem você. Só penso, mas tal condição, não têm finais em beijos. Nosso amor não poderia ser feito de instantes. E se assim, prefiro ele sonhado.
Sou parede, sou crosta e incompleto. Dou apenas continuidade. E , lá dentro, o nada a ser feito. Endossar o dito, hoje, me cansa. Adentrar a crença de um diferente? Extinta pintando visível.
Termino com a satisfação dos olhares, desse não saber revisado. Termino com o pensar que uma vez poderia ler para você o que tudo escrevo. Acho que te amo.

Lucas Balieiro

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