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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

castelinho de areia

Em meio a tantos textos de amores e desamores, quero escrever sobre o meu amor do dia-a-dia.
Pois parece que a areia nos fez mal. A areia que fez com que tudo fosse jogado por água abaixo. No meu desespero bêbado, achei que fosse o fim. Chorei, bati o pé e gritei. Não tinha espaço para pequenos orgulhinhos ou hesitações sobre humilhação em demasia.
No dia seguinte, nenhuma palavra trocada. Nenhum sorriso também. No dia 31 tive que passar o meu dia em branco, não podia comemorar com quem mais deveria. Quer dizer, não poderia celebrar o único ritual que eu acredito com quem de fato eu deveria comemorar. Fez os meus dias e noites e, na passagem de ano, nada.
Danem-se as pedras, o mar nos meus pés, o dia de vento refrescante. Natureza alguma me emociona quando você decide ficar em silêncio.
A passagem do ano chega, e eu sabia que iríamos voltar a nos falar. Mas falar o que? Sobre briga tosca e incomum? Sobre não esperar que isso tivesse acontecido? Pois bem, você, que é o meu espelho, deveria saber sobre os meus impulsos. Nunca me envergonhei deles, sempre me trouxe tantos trunfos e ressacas morais passageiras.
Não venha querer jogar tudo fora por causa de areia. Pois eu consegui me limpar, bastou tomar uma ducha. E mesmo se não conseguisse, bastava tirar os ciscos dos olhos.
Essa foi a única vez que o seu romantismo me trouxe problemas. Os passos seguros não existem mais, estamos dando nossa cara a tapa até entre nós mesmos.
Por mais que eu me desespere, só espero que saiba que esse casamento não chegou ao fim. O meu pedido já foi feito de joelhos, com flautas cantantes e alianças imaginárias. Temos uma vida inteira pela frente. Assusta por medo de decepcionar – somos duas cabeças e corações agora - mas nunca fui tão feliz.
Eu te amo.
Você é uma extensão de mim, e eu não consigo terminar esse texto sem encher os meus olhos d’água.

Juliana Xavier

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