Eu to aqui, no dia do aniversário mais internacional e secular que existe, pensando sobre o que a gente fez com o nosso amor.
Porque a despeito de todos os filhos da puta que querem se redimir na noite de natal, eu tento&tento ser uma filha da puta amorosa ano após ano, inclusive na noite de natal.
Não vou arrebentar pulseira do senhor do Bonfim e nem guardar caroços de romã na carteira. Superstições amorosas? Eu as jogo no lixo. Não é um acesso de melancolia como aqueles filhos mimados que, na obrigação de passar o natal em família, capricham no sebo do cabelo e na camiseta mais submundo do guarda-roupa – exemplo: estampa com o smile torto do Nirvana acompanhada da estrela de 2010, a velha camisa xadrez. Os esforços são muitos pra mostrar desconforto em estar ali, com a tia avó, peru e taças de vinho.
Queridos, é que nem vacina e fila do poupatempo. Tem que fazer! Vai morar longe pra ver se não vai sentir falta.
Voltando ao nosso amor, comecei a véspera pensando onde você o botou. E vou atravessar a madrugada tentando me convencer que você não foi tão filho da puta ao ponto de enfiá-lo no cu. E se ele tiver hora marcada na sua agenda, também não estou disposta a esperar.
Eu continuo contente, sendo impaciente, um pouco filha da puta e amorosa.
Já te liguei pra falar ‘feliz natal pra você, manda um beijo pra família querida’ e desliguei sorrindo.
Juliana Xavier