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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

hohoho!

Eu to aqui, no dia do aniversário mais internacional e secular que existe, pensando sobre o que a gente fez com o nosso amor.

Porque a despeito de todos os filhos da puta que querem se redimir na noite de natal, eu tento&tento ser uma filha da puta amorosa ano após ano, inclusive na noite de natal.

Não vou arrebentar pulseira do senhor do Bonfim e nem guardar caroços de romã na carteira. Superstições amorosas? Eu as jogo no lixo. Não é um acesso de melancolia como aqueles filhos mimados que, na obrigação de passar o natal em família, capricham no sebo do cabelo e na camiseta mais submundo do guarda-roupa – exemplo: estampa com o smile torto do Nirvana acompanhada da estrela de 2010, a velha camisa xadrez. Os esforços são muitos pra mostrar desconforto em estar ali, com a tia avó, peru e taças de vinho.

Queridos, é que nem vacina e fila do poupatempo. Tem que fazer! Vai morar longe pra ver se não vai sentir falta.

Voltando ao nosso amor, comecei a véspera pensando onde você o botou. E vou atravessar a madrugada tentando me convencer que você não foi tão filho da puta ao ponto de enfiá-lo no cu. E se ele tiver hora marcada na sua agenda, também não estou disposta a esperar.

Eu continuo contente, sendo impaciente, um pouco filha da puta e amorosa.

Já te liguei pra falar ‘feliz natal pra você, manda um beijo pra família querida’ e desliguei sorrindo.

Juliana Xavier

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Meu nome não começava com D

Difícil. Não pensaste de onde surgia aquele convite?
De dentro, de tudo que nunca foi,
De tudo, que nunca seria.
Disse.

Dialoguei com tacanhas,
desprezei os incertos.
Deturpei Diogos,
Difamei Danieis,
de certo, faria de novo.
Dor de pequeno,
dilatando amor,
dizendo na tentativa de conquistas,
de olhos abertos até amarelar o dia,
devaneando em suas sobrancelhas,
dissipando qualquer não saber,
deixando de lado , indelicadezas ou verborragias antes acontecidas.
Dali, os dois corpos silenciavam suas maiores verdades,
declamavam seus sentires tão hedonistas em soslaios,
desajeitados ainda com pudores -
se devia, queria, podia?

Do fim, disse.
Deveras ingênuo, pois desconhecia.
Disse antes que amarelasse outro dia, antes que sobrancelhas caíssem.
Disse antes de ser indelicado.
Disse o convite.
Eu disse.

De lado,
De vulto,
de soslaio,
decrépito.
Do chão, denegriu negativas ditas de maneira tão natural.

Do dia seguinte,
de novo a distância.
Da culpa de um só ,
da loucura deste e de sua disponibilidade para a relação.

Derramando novos verbos,
de essência tão ácida,
deturpando a história do convite.

Dias outros passaram,
da viagem já acontecida,
dizer de você sempre fazia sentido,
dessa vez,
também fez.

Disse e você vomitou tantos Ds.
De tom baixo, sua voz
disse ter outro amor,
disse que quem fizera o convite fora você,
de fato usando minha idéia,
disse que veria o mar,
disse que estaria ao lado do Daniel.
Disse pensar no Diogo.
Disse que casaria com o Danilo.
Disse.
Difícil,
De dentro,
De tudo,
um outro D.

Depois me perguntas embriagado sobre
distância,
disponibilidade,
desconexões e eu
derreto em novas elocubrações,
deteriorando meus princípios,
decorrendo justificativas de seus nãos,
da inanição de uma amizade nunca existente.
Dos anos que se passaram,
do que não foi feito
e do que nunca será.

Lucas Galati

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

dicionário

Quero abrir uma fresta na sua vida pra parar de achar que o que você tá fazendo agora é bem mais superior, elevado ou mundano que a minha noite saudosista.

Tenho certeza que você tá fazendo carinho na Mel, puto com a sua insônia. Eu colocaria Gonzales no ipod pra dispensar metáforas às minhas intenções.

Aliás, quero que se foda quem inventou metáfora. Esses iluministas, racionalistas das “artes, ciências e ofício”, convenientemente se esqueceram de considerar o hemisfério direito do cérebro, o bon vivant hedonista que não sente ressaca moral.

Os violinos dessa época dariam conta de atiçar a única vontade (até mesmo aos criadores da metáfora) que dá ao ouvir uma música como essa, por exemplo. E ao invés de dizer ‘eu quero’ – porque seria simples demais – falariam de uvas ou bicicletas: caroço, graxa, cacho e corrente.

Eles não têm ideia do estrago que fizeram: criaram subsídios lingüísticos aos seres humanos para todo mundo se sentir confortável em ser demasiadamente humano.

Metáfora, autocontrole, sexo, são apenas palavras. Acho que a gente se esqueceu o quanto elas não significam muita coisa.

Juliana Xavier

domingo, 12 de dezembro de 2010

my heart is in my head

Amor só serve quando é escrito com três letras.

Juliana Xavier