Você tem medo que eu cresça
Você tem medo que eu mude
Você não quer que eu cresça
Você não quer que eu mude
Aí você congela pequenos frames, detalhes ínfimos de histórias mal acabadas pra usar no seu quebra-cabeça capenga. Como se o tempo fosse parâmetro pra intensidade das coisas vividas. 2 anos de namoro, 5 anos de convivência, 23 anos de casamento e mais uma porção de anos que são armas pra estufar o seu peito: ‘eu te conheço!’
Me conhece?! Pra você pegar esse quebra cabeças e montar toda santa vez que a gente se encontra? Pra você usar a sua teia de memórias pra me dar puxão de orelha: ‘ei! Você não era assim’?
Sabe o que você não sabe?! Eu tenho o direito de ser o que eu quiser.
E não querendo admitir a sua importância, mas já admitindo: eu aceito as suas ordens e suposições. Eu quero e (não) quero me perder de você.
Eu não sei em que medida que eu quero me perder (com) você.
Admito um monte de falhas, conto histórias por cima, acordo irritada, fico sussa, aí fico puta de novo e fico sussa de novo – não com você (nunca foi com você), mas com a situação.
Eu não me dou o direito de ser o que quiser com você. Viro até um bicho completamente desumanizado: não cago, não peido, não vomito, peço desculpa, fico sem graça e não tenho o direito de errar na intenção, na maldade.
Por que eu te devo tanta coisa, hein?! Por causa do tempo que a gente se conhece?!
Juliana Xavier
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