Acho que eu nunca escrevi um texto pra você com falta de vergonha pra mostrar pra todo mundo. E eu não to me sentindo valente, estar na frente de um computador me deixa mais triste.
Porque a minha vontade é nunca te deixar triste, mostrar um mundo em que a tristeza não é possível. E aí, de pouco em pouco, a gente se mostra entre amigos recém feitos pra mostrar o quanto a gente mudou. Fazemos-nos exames fraudados, respostas em teste A, B, C e D não são suficientes. Deveria ter um teste com respostas com possibilidade E, a alternativa dissertativa pra justificar em texto o que não pode ser reduzido.
Não me agüento em humanidades: choro, rio, ligo rindo e chorando; fico sabendo sobre cotidianidades que eu gostaria de viver, mas não vivo. E, numa ligação de cinco minutos, tento desvendar um dia inteiro - doce ilusão: como se isso fosse possível.
Eu não tenho os dias, perco os segundos primordiais e não tem uma segunda-feira que não consiga sofrer por isso. Tenho vontade de gritar pro mundo sobre a sorte: ‘não desdenha, olha a grandiosidade dessa menina!’. E, ao mesmo tempo, só quero te guardar pra mim, como minha primeira descoberta. A minha primeira concha da praia, a primeira vez que eu vi o mar.
Concordamos em discordar da repetição: muitos textos em um blog te tornam um desesperado, não num talentoso.
Só quero que você me ouça em cada frase escondida te pedindo um cigarro sem tragar- tragando: acho que eu te preciso mais do que gostaria de admitir. Ver as lacunas da sua própria vida sendo preenchidas pouco-a-pouco, medindo as importâncias; desdenhando as importâncias, ouvindo as batidas do coração, concordando na ingenuidade e sendo incapaz de fazer diferente.
Acho que eu te preciso tanto quanto a minha vontade de tirar o sapato quando chego em casa;
Te preciso mais que os pontos finais desse ou qualquer texto. Produziria um trabalho de conclusão de curso pra tentar mapear em 1.1 ou 2.2 o que eu sinto e organizar a minha cabeça. Mas como organizar endorfina?
Sentindo.
Juliana Xavier
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