Na tendência ingênua de atribuir significados maiores a qualquer coisa, a gente vai acreditando em domingos melhores e oferecimento de rolinhos primavera pra selar um convite ao dia seguinte, o que geralmente só é aceito porque não há nada melhor a fazer. Eu não consigo entender o ser humano: sentimos-nos um pouco melhores com um telefone de um bosta que quer te pegar na agenda ao invés de se sentir melhor por se sentir melhor. Sabe quando o dia não foi nada demais, mas ainda assim você sobreviveu a ele? Por favor, não nos esqueçamos disso! Também é super importante.
Será que já tem um discurso feminista que dissertou teoricamente sobre os mistérios da solidão? Hmm. E aí se vão matrimônios de mentira e fotos no facebook. Como dá pra acreditar na seriedade de uma ferramenta que tenta cobrir todas as possibilidades pós-modernas de relacionamento? É pra provar que não é démodé como o Orkut, seu arquiinimigo brasileiro? No final das contas, só uma coisa não me sai da cabeça: ou tá junto ou não tá. E nem vou me preocupar em entrar no mérito das fotos de abraço. Como será que funciona? Na loucura do furor da transferência de felicidade de um abraço você pede pra alguém pegar uma câmera correndo pra tirar uma foto, rapidinho? Tá, voltando ao(s) relacionamento(s). Se vamos de fato cobrir todas as possibilidades, pensemos também no reducionismo lírico das letras de funk ué. Vez ou outra não tem nada mais poético que um ‘eu quero te comer’.
Quando eu digo que não acredito em redes sociais, não acredito mesmo. Porque eu ainda sou menina pra acreditar no Fantástico com o seu modelo de amor romântico. Aquela história de duas pessoas que se conheceram no metrô, um moço olhou pra uma moça, jurou que era o amor da vida dele, pediu o telefone dela, mas ela, durona e descrente, deu o telefone errado, até que nesse ínterim a moça se questionou da estupidez da coisa – o velho permeador da vida, o grande ‘por que não?’ – atendeu o rapaz e aí eles foram felizes para sempre.
Eu determinei um tempo de sofrimento estritamente pessoal até que, um dia, o próprio sofrimento virou pra mim e falou que eu não sabia mais reconhecer qualquer outro tipo de vida. Nada muito traumático, ninguém morreu ou ficou doente, mas ninguém nunca se esquece do primeiro pé na bunda doloroso. No final retumbante de Fera Ferida do rei: ‘e eu não me esqueci’ – claro! Como poderia esquecer? Aprendi por esses dias que amor pode ser qualquer coisa que todo mundo disser; o meu romantismo termina naquela história de domingo. O resto é pique corajoso, sem medo de parecer disponível demais. Depois do primeiro ‘eu quero’ no pique, vem aquela felicidade de saber que a descida é sempre mais simples. Dica de macaca véia: o que a pessoa vai fazer com o que você falar não é (e nunca foi) um problema seu. Vai lá e fala.
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