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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Without work, you have nothing

De tanto querer que entrasse na minha vida – como há muito aconteceu durante um bom tempo – agora eu tenho quase certeza que eu não quero mais.
Não saber funcionava como acalento à angustiada sensação de pontinha de esperança: ‘ah, as coisas vão se encaixar algum dia’
Aí eu deixo as janelas e as portas abertas pra entrar na minha casa: se serve da minha água gelada, limpa os pés no meu tapetinho, faz carinho na minha cachorra e trata os meus amigos como seus cúmplices. E simples assim, leva tudo de mim, dissolve todos os pronomes possessivos tão meus.
Sonda os meus passos, liga pra não dizer nada: liga pra sondar os meus passos.
Eu, que nunca fui dada a ninguém, tenho que arcar com tudo isso. E a partir de agora, tenho milhões de possibilidades: invento mentiras sobre fugas sem volta pra tentar colorir aquele elefante branco da sala, pra recolher o tapete e limpar a sujeira; correspondo e coloco minhas etiquetas de ‘isso é meu, cheguei antes’ até nos dedinhos dos seus pés, como se fosse o meu iogurte da geladeira, ou, e dizem ser a opção mais covarde: simplesmente deixo pra lá.
E deixando pra lá, o ‘não sei’ aparece de novo com uma intensidade monumental: parece que toda vez que você se aproxima, meu coração bate ‘não sei’ até comer todas as letrinhas e sobrar só o ‘n’ e o ‘i’ juntos.
Por isso, não me venha falar de amor platônico ou confiança sem igual, já que o meu coração bate em taquicardia toda vez que você chega. Não venha querer me dizer que isso é saudável.
Eu já combinei de te dar uma surra pra arrancar a verdade, te dopar ou criar uma história mirabolante sobre a minha ida a um país muito, mas muito, distante.
Mas é muito simples. Eu só quero que você reconheça, sem nenhum tipo de propriedade narcisista: ‘fiz bagunça!’. Agora, se você me quer com o mínimo de carinho – como diz tanto por aí - faça o favor de limpar.

Juliana Xavier

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